Fazer uma manutenção das usinas de forma adequada é garantir reduções nos custos da empresa. Se por um lado os gastos com reparos podem ser muito altos, prevenir e monitorar os equipamentos das usinas pode ser uma boa estratégia de identificar problemas antes que seja tarde demais. Óleo, termografia, análise de vibração e inspeções sensitivas são alguns dos pontos a serem observados.

Se a usina trabalha com uma entressafra menor, e além da produção de etanol a partir da cana-de-açúcar também produz o biocombustível com milho e sorgo, o distanciamento entre as safras praticamente deixa de existir. Dessa forma, programar a manutenção corretiva e preventiva é ainda mais importante. Isto porque, os equipamentos precisam estar mais confiáveis no restante do ano.

Diretor da Ajel, que presta serviços de manutenção a usinas, Arley Pereira afirma que o uso da preditiva é essencial para um bom planejamento das manutenções. Depois desta etapa, as empresas passam a ter ciência de quais equipamentos realmente necessitam passar por uma manutenção corretiva e preventiva. Esta é uma boa forma de trabalhar de maneira assertiva e diminuir o custo. “Uma boa manutenção na entressafra evita paradas inesperadas que, durante o período de trabalho intenso, podem causar prejuízos incalculáveis”, explica.

Na Usina Rio Claro, localizada em Caçu, a 335 km de Goiânia, a forma encontrada para reduzir os custos foi manter uma equipe interna de controle e também de preditiva e preventiva. No total, 194 funcionários atuam na parte industrial (operação e manutenção). Hoje, 80% do trabalho é realizado internamente e apenas 20% é contratado de uma empresa terceirizada.

“Estou na empresa há seis anos e, antes desse cenário tínhamos 60% da manutenção feita de forma interna e 40% ficava a cargo das empresas contratadas. O resultado desta modificação que tivemos foi uma economia de praticamente 20% nos custos. Para isso, o trabalho é quase que diário e temos um sistema de monitoramento que auxilia esta ação”, explica Paulo Sérgio, gerente de manutenção da Usina Rio Claro, que pertence ao grupo Atvos.

Paulo explica que a usina é uma das seis unidades do grupo. Nesta, apenas a cana-de-açúcar é processada. Desta forma, o período de entressafra vai de quatro a cinco meses, começando sempre no final de outubro e seguindo até março ou abril. O começo da nova safra depende do período chuvoso e, desta forma, só é possível saber de fato quando retornam os trabalhos, em meados de fevereiro. Este é o período do ano em que as empresas faturam apenas 5% do total equivalente ao ano e, por esse motivo, a revisão do maquinário é mais propensa. Isto também significa dizer que, se existir atraso na hora de colher, o tempo de atuação da usina será reduzido.

“Com a ação da equipe de preditiva, sabemos exatamente há quanto tempo cada máquina passou por manutenção e o que mede uma planta industrial é a disponibilidade da tela. A nossa meta de disponibilidade era de 97,5% e estamos entregando 99,5%. Esse resultado é fruto de planejamento e muito trabalho. Fazemos uma gestão de rotina e sabemos a condição da nossa empresa. Trabalhamos com liberação de motores, bombas, análise de olho”, exemplifica. Com produção diária de 1800 m3 de etanol em duas destilarias, a safra na usina está encerrando com 275 milhões de litros produzidos além de 300 gigawatts de energia.

Arley Pereira, explica que o grupo Ajel disponibiliza equipes qualificadas para manutenção preventivas, preditivas e corretivas in loco ou na assistência técnica da empresa. Ele ressalta que o principal desafio hoje é viabilizar uma boa estrutura de pessoas e equipamentos compatível com o recurso das indústrias.

 

Fonte: SIFAEG